Henrique e elas

22 jun 2016
Postado por às em Tv e cinema

Um belo dia a Netflix (re)inseriu The Tudors em seu catálogo e me recomendou. Com medo de que tirassem, vi a série assim que pude (em abril eu tinha baixado as quatro temporadas, mas acabei adiando por preguiça de procurar legendas que servissem). Com 8 a 10 episódios por temporada, a série foi escrita por Michael Hirst, criador da minha amada Vikings. E os dois filmes sobre Elizabeth I estreladas por Cate Blanchet. (Ele escreveu também Camelot, que é mais ou menos, mas a culpa é do mocinho que fez o Arthur, já que a Morgana era maravilhosa.)
Essa é uma resenha mais ou menos spoiler free, já que não tenho a intenção de revelar muito mais do que seus livros de História da escola já contaram.

Henrique XVIII

Vou ser honesta com vocês: sempre pensei nele como um cara babaca. As aulas de História me deixaram com a impressão de que ele era um espertalhão do tipo: “ah, a lei não permite? vou criar essa outra lei aqui, agora eu posso”. Ele era o rei, ele podia. Essa coisa de sair descartando as esposas que não lhe deram um filho do sexo masculino me deixou ressabiada com o caráter do monarca.
Na série o rei é a princípio todo charmoso, atlético, alegre… Com o passar dos anos sua saúde foi se deteriorando e sua personalidade também. Jonathan Rhys Meyers fez um bom trabalho, porque Henrique foi um personagem que eu amei odiar.

Catarina de Aragão

Catarina havia se casado ainda adolescente com o irmão de Henrique, Arthur, mas ela enviuvou antes que o casamento fosse consumado. Quando ascendeu ao trono, o que Henriquinho fez? Pediu uma dispensa papal para se casar com ela, pois as leis da Igreja não permitiam que um homem se casasse com a mulher de seu irmão.
Ela engravidou seis vezes, em algumas delas deu á luz crianças natimortas, mas apenas sua filha Maria sobreviveu até a idade adulta. Conseguem imaginar a pressão que essa pessoa sofreu para gerar o herdeiro do trono? E quando o rei a “descartou” usando esse pretexto? Agora imaginem o que ela não sofreu quando Henrique concluiu que o casamento dos dois era amaldiçoado porque ele casou com a mulher do irmão.
Ele fez de tudo para que o Papa anulasse seu casamento e, quando o pedido foi recusado de várias maneiras, Henrique resolveu que seria a autoridade máxima da Igreja da Inglaterra. E a anulação foi concedida por um bispo inglês. Simples assim. Catarina destituída do seu título e sua filha Maria considerada bastarda(!!!). Mas até sua morte afirmou ser a legítima esposa do rei. Morreu sozinha e doente, coitada. =(

Ana Bolena

Ana Bolena era uma das damas de companhia de Catarina quando o rei começou a se interessar por ela. Ela não tinha ascendência real (que era princesa da Espanha), mas Henrique foi dando mais status a ela e sua família.
Como Catarina muito querida pelo povo, demorou um pouco até “pegar” essa história do casamento com Ana, sabe? Mas a história da reforma religiosa foi dando mais destaque a Ana, o rei parecia feliz, eles tiveram uma filha (Elizabeth)… Só que o rei queria um menino, né? Ana teve gestações que resultaram em abortos e natimortos, o que foi deixando Henrique descontente. Ele arrumou uma amante, Joana Seymour, que era dama de companhia de Ana. Karma is a bitch, né Aninha?
Quando Ana deu à luz uma criança sem vida com má formação, ele concluiu que ela o traiu, porque “um monstro deformado não podia ser filho dele”. QUE PESSOA PÉSSIMA VOCÊ, HENRIQUE.
Com as acusações de adultério, ela foi condenada à morte por decapitação. Na série sua execução foi um momento bastante emocionante, com direito a discurso e gente chorando. *caham* Eu era team Catarina, mas nunca fui team Henrique. Ah, e Elizabeth foi considerada ilegítima assim como Maria.

Joana Seymour

Que gracinha de pessoa era Joana! Ao menos na série né, nunca ouvi falar muito dela nem encontrei muita referência, mas ela mostrou simpatia a Catarina e Maria. Inclusive, ela fez com que o rei aceitasse Maria de volta à corte. (Na série ela faz com que o rei se reconcilie com ambas as filhas.)
Só é uma pena que ela tenha morrido em decorrência do parto do tão esperado herdeiro do trono, Eduardo. Parece que dessa ver Henrique ficou abalado, pois demorou 3 anos inteirinhos até se casar de novo.

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Na ordem: Catarina de Aragão, Ana Bolena e Joana Seynour

Ana de Cleves

Dessa vez o casamento foi feito por conveniência, pois a família de Ana era protestante, e já que Henrique queria se desligar da Igreja Católica, parecia vantajoso escolher uma rainha da fé que ele apoiava naquele momento, porque ô homem pra mudar de ideia.
Ele não conheceu a noiva antes de propor casamento, tomando essa decisão baseado em um retrato que ele encomendou com um pintor. Quando a moça chegou à Inglaterra, Henrique achou que ela não era tudo aquilo mas continuou com o casamento pois já havia se comprometido.
Mas aí… ele manifestou aversão a Ana, não consumou o casamento e meio que colocou a culpa na moça por isso. (Superficial much?)
O casamento foi anulado e o rei ao menos deu a ela uma pensão, propriedades e títulos de nobreza – dentre eles o de Irmã do Rei. Bom, melhor que ser decapitada, né? (Quem acabou perdendo a cabeça foi Thomas Cromwell, que havia encorajado o casamento.)
Ana acabou não se casando novamente, permaneceu na Inglaterra e se tornou amiga das filhas de Henrique. Apesar de não ter dado sorte no amor, pode-se dizer que Anna levou um fim menos pior que suas antecessoras.

Catarina Howard

Contrastes: o casamento com Catarina Howard aconteceu TRÊS SEMANAS após o fim da união com Ana de Cleves e Henrique sentia-se atraído pela nova esposa como nunca havia se sentido por Ana. Catarina era jovem, cheia de vida e tinha 17 anos, o que a fazia mais de 30 anos mais nova que o ele. Quer dizer, ele já era rei havia alguns anos quando ela nasceu. Sim, estou achando errado um rei cinquentão casando com uma adolescente (Amor? Nah, certeza que ele queria era um bibelô.)
Acontece que Catarina arrumou um amante, Henrique ficou sabendo e o escândalo posteriormente expôs que ela “vivia de modo devasso antes do casamento com o rei”. Como na época rei com amante era normal e rainha com amante era condenada por traição ao reino, com Catarina não foi diferente.

Catarina Parr

Um comentário nada a ver: ou Catarina era um nome MUITO comum na época, ou Henrique tinha uma certa predileção por mulheres com esse nome (ok, Ana também parecia ser comum).
Catarina era viúva quando se casou com Henrique – meio a contragosto, ela era a finzona de Thomas Seymour (tio do pimpolho-príncipe Eduardo). Mas quando Sua Majestade oferece a mão em casamento, como recusar? Considerando o histórico do cara, não dá para culpar nenhuma das amantes dele, inclusive: se o rei demonstra interesse em você, não é uma opção dizer “obrigada querido, mas não durmo com homem casado”. Vai que ele manda te executarem?
O reinado de Catarina foi relativamente de boas, ela tinha um relacionamento com os filhos de Henrique, o influenciou a colocar as filhas de volta à linha de sucessão… Existiam umas tretas entre ela e o marido envolvendo religião, pois ela era protestante e a essa altura ele resolveu que era meio católico. Mas como ela sobreviveu a um casamento com Henrique XVII, sem que ele pedisse divórcio, podemos consideram uma vitória?

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Na ordem: Ana de Cleves, Catarina Howard e Catarina Parr

Maria e Elizabeth

Resolvi dedicar um tópico às princesas renegadas porque acho que as duas sofreram quase tanto quanto as esposas. Imagine seu pai te rejeitar porque ele quer um herdeiro homem a qualquer custo. Imagine-o acusando sua mãe de coisas inimagináveis porque quer se casar com outra mulher para gerar um filho para substituir você.
Mas não é irônico que o tão querido filho tenha morrido jovem e as duas irmãs ascendido ao trono depois dele? CHUPA, HENRIQUE!
Maria era católica fervorosa como a mãe, então ela não só teve seu direito ao trono negado, mas teve sua religião rejeitada. Quando se tornou a primeira rainha soberana da Inglaterra, as perseguições a protestantes originaram o apelido de Maria Sangrenta. (Curioso que as pessoas tenham feito vista grossa para a instabilidade de Henrique mas Maria seja tachada de tirana sedenta por sangue.) Ela se casou aos 37 anos na esperança de gerar um herdeiro de forma que sua irmã protestante ascendesse ao trono após sua morte. Mas não obteve sucesso, passando até mesmo por uma gravidez psicológica. Aprendemos no reinado anterior que pressão não funciona, não é mesmo?
E Elizabeth é Elizabeth, né mores? Também conhecida como A Rainha Virgem, Gloriana, Boa Rainha Bess, Nascida da Tormenta, a Não Queimada, fechou a dinastia Tudor com chave de ouro. Ela não se casou apesar de não faltarem pretendentes, apesar de correr o risco de morrer sem deixar herdeiros, porque ela era rainha da porra toda e não era obrigada. Marido só para desestabilizar o reinado? Deixa quieto. Na série ela mostram que essa mulher tinha a cabeça boa desde novinha e protagoniza junto com Maria uma das minhas cenas favoritas de The Tudors (e que inspirou esse post).


“O rei esperou muito tempo por um filho.” “Mas ele ainda nos ama.”
“Um menino é mais importante, Elizabeth.” “Eu acho que não.” Gente. ♥

E ainda dizem que séries não são cultura!


It’s my cup of tea

17 jun 2016
Postado por às em Aleatoriedades, Comida

No post do frio eu contei para vocês que no trabalho eu bebo apenas chá, já que tenho um pacto comigo mesma de não ficar tomando café fora de casa. Eu queria comprar uns chás a granel que vejo pela internet, mas é caro e para preparar no escritório os de saquinho são mais práticos. Vamos às resenhas de chá? Vamos.

Twinings

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Já peço desculpa pelas fotos, é o que tem pra hoje pois alguns desses chás já acabaram e não tenho como fotografar de novo. Haters gonna hate.¯\_(ツ)_/¯

Os chás da marca inglesa são bastante famosos. Aqui no Brasil a gente não encontra uma variedade tão grande de sabores, mas ao menos temos a oportunidade de experimentar os mais icônicos: o Earl Grey e o English Breakfast. Ambos são blends de chá preto, porém o Earl Grey é aromatizado com bergamota (o que eu acho que deixa o chá preto bem mais interessante). Já tomei com leite, inclusive. Ainda não sei o que pensar a respeito. XD Na mesma família já provei o Lady Grey (que é outro chá preto aromatizado com frutas cítricas) e o chá branco (que é feito da mesma planta que o chá preto, mas processada de maneira diferente. Dentre esses gosto mais dos aromatizados, porque eu enjoei do English Breakfast. =P O chá branco é mais suave, mas tomo só de vez em quando.

Momento cultura: só se chamam chá as bebidas preparadas a partir da planta Camelia sinensis – no caso os chás preto, verde e branco. Quando são preparadas a partir de outra planta, se chama infusão. Mas eu vou chamar tudo de chá nesse post, ok?

Outro sabor que deixei meio de lado esses tempos é o de Camomila, Mel e Baunilha. Ele até que é gostosinho, mas gente, eu nem gosto de chá de camomila! Comprei de curiosa mesmo. =B Ele é bebível, mas também só tomo quando estou MUITO a fim.
Estou sempre fazendo rodízio para provar sabores novos, mas um que não pode faltar é o Gengibre e Limão. Gengibre é uma especiaria que mora no meu coração. ♥

Celestial Seasonings

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Que felicidade quando eu encontrei para comprar aqui onde moro (sou dessas que celebra chá, dá licença =B). O Black Cherry Berry é muito bem falado, e com razão: melhor chá de cereja que já tomei, não tem aquele gosto artificial, sabem? O Lemon Zinger é bastante parecido com o Lemon Twist da Twinnings, mas comparando de cabeça, o da Celestial tem um sabor um pouco mais cítrico, o que me agrada mais.
É uma pena que os chás desta marca sejam mais caros que os da Twinnings. =/ Não gosto muito do fato de que os saquinhos não tenham “cordinha” – mas dá para contornar a situação – e de que eles não venham embalados individualmente – o que é bom por um lado que não gera mais lixo, mas ruim se você precisa carregar os pacotinhos na sua bolsa fora da caixa original.
(Sim, eu carrego uma porção de chá na bolsa, mas só quando vou abastecer o pote que mantenho no escritório.)

Carrefour

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Na prateleira de “importados em promoção” achei estes chás do Carrefour francês (até onde me recordo, existe também uma linha de chás do Carrefour brasileiro, mas nunca tinha visto esses sabores). Comprei o chá preto saborizado com caramelo e o chá preto saborizado com baunilha. Vi também o de hortelã, mas não sou fã de chá de hortelã. Pois é, e pensar que eu tinha enjoado de chá preto. Mas achei o sabor mais suave que os da Twinnings (o que nesse caso é bom). Porém o sabor de caramelo é um pouco forte (beirando o enjoativo) para se tomar todos os dias. Acho que de todas as marcas desse post é a com o melhor custo-benefício (custou e rende o mesmo que os chás da Twinnings, mas com 25 saquinhos em vez de 10).

Royal T-Stick

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Esse chá tem uma das apresentações mais engenhosas que conheço: O saquinho em forma de bastão serve para mexer o chá. Novamente comprei chá preto… mas dessa vez saborizado com frutas silvestres. =B Também tem um sabor mais suave, fica bem equilibrado com o das frutas. Outro sabor que comprei foi o chá de rooibos, que até então só conhecia de nome. Ele não tem sabor herbal mas também não é exatamente frutal, lembra quase… batata doce? HAHAHA
(Esse chá também é um oferecimento da prateleira de “importados em promoção”. Gosto de chá, mas queria uns chocolates dessa prateleira, viu?)

Uns chás aleatórios

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Aqui entram alguns chás que não se encaixavam nas anteriores.
Já tomei chá com leite, mas alguém aí imaginou chá de iogurte? Eu não, mas decidi experimentar o de Cereja e Iogurte da Dr. Oetker. Ele não é ruim, porém tem gosto artificial de cereja SIM – quase como gelatina, sabem? O iogurte não faz diferença no sabor, é mais aroma mesmo. Os chás da marca são gostosinhos, mas todos os que já provei tem gosto de… suco.
O Maçã e Canela da Leão Fuze não tem gosto de maçã, mas a parte da canela está aprovada. (Ou se tem gosto de maçã, a canela mascarou.) O defeito dele é ser meio fraco, preciso de 2 saquinhos para fazer uma xícara de chá com a concentração que eu gosto.
Um dos poucos (dois) chás que não são de saquinho que vocês verão nesse post é o chá de Hibisco da China Town. Já tinha provado chás com hibisco misturado, mas nunca puro. É bom! Meio azedinho, parece alguma fruta… (Sou ótima explicando sabores. -sqn) O único chá de flor que havia tomado até então era de camomila, mas depois do de hibisco quero provar de jasmim e alfazema (já vi que a China Town tem – aliás, aceito o de anis estrelado também).
Agora temos um chá mais… diferentão. Na minha aventura na Liberdade resolvi comprar o tal do Matcha (Uji no Tsuyu). Pensei “se eu tomo chá preto e chá branco, esse não deve ter um gosto tão diferente”. A “essência” do sabor é bem parecida mesmo, mas acho que a apresentação faz toda a diferença: o matcha é um pó que você mistura na água quente e não coa depois. Ele não dissolve, fica ali em suspensão na água. Devo dizer que foi um tanto estranha aquela sensação “arenosa” na boca, mas eu quero descobrir mais a respeito do preparo antes de afirmar que não gostei (porque ainda desconfio que fiz coisa errada HAHAHAHA).

Chá ostentação

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Assim, ostentação OSTENTAÇÃO MESMO seria se eu tivesse comprado essa caixa da Twinnings. Mas eu achei uma lata da Leão Fuze com 9 sabores, que no fim das contas é como se eu comprasse meia caixa dos inglesinhos (e a única lata que eu tive condição de comprar da Twinnings foi essa aqui).
Temos chás de: Camomila, cidreira e maracujá, Capim-cidreira, laranja e limão, Maçã e laranja, Chá preto com limão, Chá mate natural, Chá verde com limão, Chá mate com limão, Rosa Silvestre, Hibisco e Amora, e Chá preto com pêssego. Não experimentei todos, mas os mate eu já conheço, o os chás verdes e pretos eu gostei (são mais suaves, do jeito que eu gosto) e os de fruta são gostosos mas fraquinhos, então para mim não rola usar um saquinho só por vez.
Falando em saquinho, tenho uma reclamação sobre os chás nacionais. Não sei qual o material usado, mas quando você coloca na água o saquinho infla feito um balão e fica boiando. Pode ser implicância minha, mas parece que se o chá não estiver imerso não dá gosto direito. Claro que eu dou um jeito e uso uma colher para afundar, mas atende meu apelo aí, Leão!
Como disse lá no começo do post, queria comprar alguns chás que vi na internet, cujas misturas parecem bem interessantes. Mas atualmente meu foco é encontrar masala tchai para vender. Recomendações são bem vindas.
E vocês, aceitam uma xícara de chá?